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Segundo o Plano Diretor de Niterói, a Região de Planejamento Norte é formada por 12 bairros: Baldeador, Barreto, Caramujo, Cubango, Engenhoca, Fonseca, Ilha da Conceição, Santa Bárbara, Santana, São Lourenço, Tenente Jardimm e Viçoso Jardim. Limita-se com o vizinho município de São Gonçalo e, internamente, com as regiões de Pendotiba e das Praias da Baía. Possui também pequeno trecho banhado pelas águas da Baía de Guanabara que inclui as ilhas do Caju, Mocanguê Pequeno, Vianna, Santa Cruz e Manoel João. As ilhas são a continuação, mar adentro, do relevo marcado pelos morros mamelonares típicos do entorno da Baía de Guanabara.

No domínio geográfico da Zona Norte, algumas das principais artérias de circulação se encaixam nos vales, facilitando a definição de caminhos naturais. Um bom exemplo é a Alameda São Boaventura que corta o bairro do Fonseca. Além de importante via de circulação intra-urbana e de passagem, a Alameda funciona como estrada de ligação intermunicipal. À direita e à esquerda da Alameda estendem-se cordões de morros não necessariamente contínuos mas suficientes para comporem paisagens diferenciadas, tanto do ponto de vista do padrão construtivo, quanto da infra-estrutura urbana. Um deles, o morro de São Lourenço, é marco geográfico e histórico importante para o município.

mapa regiao norte niteroi Informações sobre a Zona Norte de NiteróiA cidade de Niterói nasceu no alto do morro de São Lourenço, onde existe a igreja com igual denominação, no dia 22 de novembro de 1573. Naquela época os franceses, aliados aos índios Tamoios, lutavam pelo controle das terras ao redor da Baía de Guanabara ao mesmo tempo em que os portugueses, descobridores do Brasil, travavam luta de resistência contra os invasores. Os portugueses recorreram à ajuda dos índios Temiminós, originários do Espírito Santo, adversários dos Tamoios, e com eles venceram a disputa e expulsaram os invasores. Os Temiminós eram chefiados pelo cacique Araribóia a quem foi doada uma sesmaria onde a sua tribo pudesse se instalar, o que ocorreu a partir de 1568. Seis anos mais tarde era erigida a capela ao redor da qual os indígenas começaram a organizar-se social e economicamente. Eles se dedicavam à caça e à pesca, abundantes devido a presença de muita mata nas proximidades do mar. Havia também a produção de objetos de barro (cerâmica) e de redes (tecelagem).

São Lourenço foi escolhido por tratar-se de um sítio de proteção eficaz, de onde se podia avistar toda a movimentação na Baía de Guanabara e também se podia divisar as planícies e praias ao derredor. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento do escravismo no Brasil, esta parte do município viu surgir fazendas canavieiras, sucedidas de fazendas com plantações de café,(1) cereais e leguminosas como milho e feijão, além de horti-frutigranjeiros, em séculos mais recentes.

Durante o processo de ocupação, outros grupos sociais foram chegando à região. Além dos escravos negros que não demandavam terras, outros, com alguma disponibilidade econômica e juridicamente livres, foram se estabelecendo em terras indígenas com o beneplácito da Coroa e assistência dos jesuítas. Muitos receberam terras por aforamento ou simplesmente se instalavam em terras não tituladas. Este mecanismo contribuiu para fracionar progressivamente a Sesmaria e, em igual proporção, os Temiminós foram perdendo terras e delas sendo desalojados.

Por expulsão, dizimação ou aculturação os índios não resistiram — desapareceram. No decorrer dos séculos XVIII e XIX, o interior do Estado do Rio passou por notável desenvolvimento agrícola e a sua produção em boa parte era escoada pelos portos da Baía de Guanabara, versão aprimorada dos antigos ancoradouros. Niterói era ponto obrigatório de passagem de grande parte das mercadorias que vinham de serra acima e até da Baixada dos Goitacazes. Mercadorias inicialmente transportadas por tropas de muares e mais tarde por ferrovias.

Alguns bairros da Região Norte como o Barreto, Santana, São Lourenço e Ilha da Conceição, juntamente com a Ponta D’Areia (este pertencente a Região Praias da Baía), sediaram a partir de meados do século XIX, de forma concentrada e densa, estabelecimentos industriais. Durante a Primeira República o ritmo do crescimento industrial da região tornou-se ainda maior.

Essa transformação estrutural que marcou tão profundamente a economia do país nesse período, teve forte presença na Região Norte de Niterói. Paralelamente houve a fragmentação das fazendas, seja por herança ou por fins comerciais. Algumas delas passaram por fase intermediária, a de chácaras, de uso mais urbano do que rural. E outras foram abandonadas, invadidas ou griladas.

Os trechos correspondentes ao Baldeador, Caramujo, Viçoso Jardim e parte de Santa Bárbara, foram pouco afetados pelo processo de industrialização. Nesses lugares existem até hoje áreas com características rurais ou de urbanização incompleta. Enquanto isso, Cubango e Fonseca, desde cedo, revelaram vocação residencial para segmentos das classes média e baixa, sem a correspondente dinamização das atividades econômicas.

Quanto ao litoral, observa-se o progressivo assoreamento e o declínio dos manguezais. Da antiga Manchester niteroiense hoje restam poucas indústrias, merecendo registro a indústria naval e a de reparos navais; a indústria alimentícia e a indústria têxtil. Ao lado da indústria naval, que apesar da prolongada crise de investimentos e de gestão ainda é a maior empregadora, registra-se também a existência de uma base naval de submarinos na Ilha do Mocanguê. Há vários outros departamentos da Marinha funcionando na região.

O comércio é bastante variado e espacialmente disperso, com eixos de circulação bem definidos. Na região encontram-se também bancos, grandes supermercados, agências de automóveis, inúmeras linhas de ônibus e equipamentos sociais como hospitais, escolas e creches. Enfim, trata-se de uma das regiões de mais antiga ocupação, onde o trevo da Ponte Rio-Niterói fez aumentar por demais o fluxo de veículos. Igualmente funciona como corredor entre Niterói-São Gonçalo e Niterói-Região dos Lagos/Região Serrana. Muitas transformações ocorreram e podem ser assim sintetizadas:

  1. O processo de ocupação da região intensificou-se com a chegada de imigrantes atraídos por novas atividades econômicas, principalmente a industrialização;
  2. A implantação de projetos urbanos desde o século XIX trouxe melhoramentos e também impulsionou a ocupação de novas áreas. Caminhos foram transformados em ruas, avenidas, estradas; o bonde foi implantado nas principais vias dos bairros mais antigos e a luz elétrica chegou logo;
  3. Houve grande desenvolvimento das atividades comerciais, industriais, ferroviárias e portuárias em São Lourenço, Santana e Barreto — áreas que se transformaram em pólos comercial e industrial da cidade, promovendo a ocupação das adjacências com claras distinções sociais;
  4. A partir da segunda metade do século XX, o declínio progressivo do comércio e da indústria na região acarretou graves conseqüências. Houve êxodo de moradores e de atividades comerciais e industriais, o porto e a ferrovia foram desativados — alterou-se o perfil sócio-econômico da população. Novos moradores se instalaram, mas só que pessoas sem identificação com as atividades e a história da região;
  5. A abertura de novas ruas e estradas estimularam a ocupação e especulação imobiliária, provocando o aparecimento de novos bairros para segmento populacional de classe média baixa, além de áreas de favelização;
  6. O comércio e a prestação de serviços ao longo das principais vias passa a ser a principal atividade econômica da região, juntamente com as atividades industriais remanescentes;
  7. A Zona Norte transforma-se em área residencial, primordialmente.

Pode-se facilmente identificar nos bairros que compõem a Região Norte a história de Niterói — já que parte importante desta história foi aí vivida e construída. Nos dias de hoje, os principais problemas encontrados na região são:

  • Escassez de opções públicas para diversão e lazer;
  • Poluição ambiental e sonora;
  • Destruição de áreas de floresta;
  • Grande movimento de veículos automotores e dependência do transporte rodoviário;
  • Crescimento desordenado;
  • Aumento das áreas de favelas;
  • Falta de opção de atividades econômicas, mercado de trabalho local muito restrito;
  • Equipamentos públicos insuficientes em função do crescimento urbano;
  • Regiões sujeitas a enchentes;

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